Capitulo três - Rodrigo e Ricardo falam pelo Whatsapp
Rodrigo estava deitado na sua cama
no quarto de hospedes da casa do Mendes, olhava para o WhatsApp do Ricardo,
queria falar com ele, mas não sabia como.
Olá….
Voltava a apagar e voltava a
escrever:
Eu sei que existe pessoas parecidas
umas com as outras neste mundo, mas tão parecidos como nós que nem o meu melhor
amigo de infância nos destingiu.
Nenhuma resposta do Ricardo, farto
de ser ele a quer conviver, falar pelos os dois, pousou o telemóvel e voltou ao
livro, quando o telemóvel tocou as mensagens ele foi a correr atender e era do
Ricardo.
Não sei o que te responder
sinceramente, a mim não me agrada ter um tipo parecido comigo no continente. Se
te faz feliz, sim podemos ser amigos….
Ricardo deixou de escrever e depois do nada voltou a
escrever.
….Eu nasci na freguesia Ponte da Garça
numa humilde família eu sou o mais novo de cinco irmãos. Quando nos encontramos
eu tinha ido visitar o meu irmão mais velho a cidade do Porto, foi também para
mim uma surpresa ter te encontrado no avião para casa. Estás aí?
Rodrigo escreveu para ele:
Sim,
podes continuar.
Ricardo continuou a escrever.
…O meu pai é a nossa cara, porque somos
parecidos, eu mesmo tendo uma família grande sempre me senti sozinho como se
faltasse uma parte de mim, percebes. Sempre me chamaram de maluco, como poderia
me sentir sozinho se tinha uma família grande e sem falar nos amigos. Com o
tempo esta sensação foi desaparecendo até que te encontrei. Mas deve ser
coincidência….
Parou de
escrever e voltou a escrever e mandou.
…Ninguém nos
raptou a nascença, pois não?
Rodrigo estremeceu que tal coisa poderia ter
acontecido, não pode existir alguém tão parecido connosco assim do nada, queria
saber o que aconteceu, porque desde miúdo sempre desejou ir aos Açores, desde muito
pequeno quando bufava as velas esse era o seu desejo, então escreveu ao
Rodrigo.
Queres saber
a verdade? Porque somos a cara chapada um do outro e porque sempre nos sentimos
sozinhos mesmo estando cheio de gente.
Ricardo
escreveu e mandou
Vou dormir Poirot
Rodrigo
pousou o telemóvel e sabia que havia aqui metido um mistério, um roubo a
nascença, sua mãe roubou-o a mãe do Ricardo, como o pai era parecido com eles,
não, doía-lhe o coração só de pensar nisso, depois lembrou-se de algo.
“A mãe quando
te trouxe da maternidade dizia que não te reconhecia e foi assim um bom tempo.”
Era o que a irmã Lurdes lhe contava, como um miúdo de cabelo castanho claro
podia ser filho de um homem de cabelo preto, ele nunca se viu no seu pai mesmo
gostando tanto dele. Foi ao telemóvel e escreveu ao Ricardo:
Aonde
nasceste?
Ricardo escreveu e mandou:
Tu não desistes pois não, eu nasci na
cidade do Porto, quando a minha mãe quase a me ter foi visitar o Continente e
eu nasci lá, mas sempre serei açoriano.
Rodrigo
sorriu e escreveu:
Obrigado e até
amanhã
Ricardo
escreveu e mandou:
Espero bem.
Rodrigo era igual em tudo no Ricardo, mas eram diferentes no temperamento, Rodrigo era mais
conversador e geek e o Ricardo era mais pés na terra e ele gostava disso nele.
- Ei Poirot espera, sabes que eu sou gordo. – disse o Ricardo atras do Rodrigo e do Mendes, o Rodrigo respondeu que também era e ele fez uma careta dizendo: - Está bem, mas andem um pouco mais de vagar.
Ricardo ficou contente quando saiu
de casa com o Mendes com a mochila ao ombro e viu o Ricardo a espera deles.
- Estás a muito tempo a espera?
- Não, cheguei agora, eu vivo perto
de ti, mas isso não quer dizer nada, senhor Poirot.
Para o
Ricardo o Rodrigo ficaria com o nome de Poirot, por quer sempre investigar
coisas simples, como o porque de serem tão parecidos. O Mendes para os
distinguir fazia-o pelas t-shirt, Ricardo trazia uma t-shirt do Super Mário o
Filme e o Rodrigo uma t-shirt dos Pink Floyd dark side of the moon.
- Bem aqui
tens a lagoa das sete cidades. – disse o Ricardo no miradouro. – Aproveita para
tirar as fotos, vamos tirar uma os dois para mostrar ao meu pai, ele não
acredita em mim.
Os dias
nos açores correram de pressa, Rodrigo teve de dizer adeus ao Mendes e ao Ricardo com a
promessa de voltar, lá em casa ninguém queria acreditar que havia alguém
parecido Rodrigo nos Açores.
O Ricardo
também disse que o seu pai não acreditava que alguém como ele existia sem que
fosse seu filho.
Rodrigo quando
meteu a foto no Facebook e Instagram, muita gente partilhou e de repente foram notícias com a foto foto deles.
“Numa ida aos Açores dois homens
descobrem que são idênticos.”
Ricardo tinha
a idade do Rodrigo, faziam anos no mesmo dia, nasceram da maternidade Júlio
Dinis isso era muito esquisito para ser coincidência e o Rodrigo escreveu ao
Ricardo.
Eu vou descobrir o que aconteceu no
dia em que nós nascemos.
Ricardo escreveu e mandou:
Desejo-te sorte Poirot.
Comentários
Enviar um comentário