(Prólogo – 22 de
Julho de 2021, Lordelo do Ouro)
Muitos bons dias,
caros leitores! Meu nome é André Vilaça, e sou o autor deste conto de Natal.
Desde muito jovem, sempre tive o desejo de escrever uma história que capturasse
o verdadeiro espírito natalino. No entanto, a inspiração parecia escapar de
mim... até que um dia recebi um e-mail de um homem misterioso, da minha idade,
que me dizia ter uma história de Natal para compartilhar comigo.
Ele se apresentava
como Ricardo e, segundo suas palavras, sua família durante o Natal
era um verdadeiro manicômio, algo digno do conto natalino que eu tanto ansiava
escrever. Fascinado pela ideia, logo sugeri que nos encontrássemos para que ele
pudesse me contar sua história pessoalmente. E foi assim que marcamos um café
na Foz do Douro, mais precisamente no Tabi.
Ricardo mencionou que
estaria sentado na esplanada e que eu o reconheceria facilmente por um detalhe
peculiar: um laçarote castanho com bolinhas redondas de um tom castanho-escuro.
E assim, na data combinada, fui ao nosso encontro.
Chegando à esplanada do
Tabi, lá estava ele, bem no meio das pessoas, exatamente como havia descrito.
Aproximando-me, ainda com os olhos no chão, perguntei de maneira quase tímida:
– Ricardo?
– O próprio
– respondeu com um sorriso caloroso. – Então, tu deves ser o escritor André Vilaça.
– Não diria
escritor – confessei, honestamente. – Não escrevo para editoras de
verdade...
– Mas não tens
dez livros registrados na Biblioteca Nacional? – retrucou Ricardo, ainda sorrindo. – Pelo menos foi o que vi na internet.
– Sim, tenho.
– respondi, sentindo um certo orgulho tomar conta de mim.
– Então és um
escritor, sim senhor! – disse ele, agora claramente satisfeito.
Ricardo era um homem
corpulento, sem sombra de dúvida. Tinha o cabelo curto, de um tom castanho
claro, e usava óculos redondos que escondiam seus olhos azuis, evocando de
imediato a imagem de Harry Potter. Por um breve momento, cheguei a procurar em
sua testa o famoso símbolo do raio.
Ele vestia uma camisa
branca, sobreposta por uma camisola de lã verde e amarela. Por cima, usava um
casaco castanho já gasto pelo tempo. E, claro, lá estava o laçarote. Para
completar, trajava calças de sarja castanho claro e um par de sapatilhas que,
combinados, davam a ele um ar despretensioso. Coloquei o gravador em cima da
mesa e perguntei:
– Posso gravar a
sua história de Natal?
– Claro que sim.
Liguei o gravador e,
então, ele começou a contar sua história de Natal…
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