Capitulo dois - O Mendes é o Mendes.

         Rodrigo sempre se sentiu sozinho, mesmo tendo uma família grande, cheio de irmãos e primos e avós que vinham da aldeia com doces que ele tanto gostava. Mas sentia-se sempre sozinho, como se faltasse uma parte de si. Agora que viu o Ricardo parecia que tinha encontrado essa sua parte perdida. Desde miúdo que gostava das ilhas dos Açores, como se fosse o elo perdido para as suas perguntas.
         Queria voltar a ver o Ricardo, gostou dele como um irmão mais novo, a sua espera estava o seu amigo Mendes, o Mendes era o amigo que todos gostariam de ter como melhor amigo.
         - Hoje vens muito calado.
         - Não é nada. – disse o Rodrigo.
         - Amigo tu estás finalmente nos Açores, que mais queres na vida. – brincou o Mendes levantando os braços para um abraço. – O que foi?!
       Rodrigo pegou no telemóvel e mostrou a foto que tirou com o Ricardo e o Mendes vendo as semelhanças perguntou:
      - Teu primo?
      - Não, só o encontrei no avião para os Açores, ele sentou-me a minha beira.
        - Mas ele é a tua cara, como uma fotocopia.
        - É, não é?! – Disse o Rodrigo e continuou. – chama-se Ricardo Moniz.
          - Falaste com ele pelo menos?
          - Ahhh, acho que até de mais.
          - Anda vamos para a minha casa, Ponte Delgada pode ser complicada a esta hora e eu moro do centro da cidade.
           Foi com alegria e tristeza que o Rodrigo soube que o seu melhor amigo Mendes ia trabalhar para os Açores, aqueles Açores que tanto queria conhecer desde miúdo.  
          - Além desse homem ser quase teu irmão gémeo, que mais contas da viagem.
          - Estive a ouvir os Beatles toda a viagem.
         - Os Pink Floyd são muito melhor.....aonde tiraste a carta na Atlântida?... – gritou o Mendes ao homem que se meteu a frente do carro e depois olhou para o Rodrigo e disse - desculpa estávamos a falar sobre o que?
         - Parvoíces, é muito cheio de vida aqui a Ponte Delgada.
         - A esta hora sim. – depois entrou numa garagem do supermercado e o Mendes disse. – vamos as compras. 
         Rodrigo seguia o Mendes com o carrinho de compras no meio do supermercado quando bateu em outro carrinho e reconheceu a voz do outro condutor.
          - Só podem estar a brincar.
          - Olá Ricardo, eu juro que isto foi coincidência, eu Juro.
       Os dois sorriram e o Mendes apareceu com o saco com fruta e ficou a olhar para o Rodrigo e para o Ricardo e ficou confuso, não conseguia distinguir o seu melhor amigo e pediu:
         - Digam algo ou fico mais confuso do que já estou. – O Ricardo falou com o sotaque e o Mendes apontou para o Rodrigo dizendo: - Este é o meu melhor amigo.
         Rodrigo sorriu e disse que tinha que ir e continuou caminho, Ricardo chamou-o e quando se virou ele perguntou:
         - Tens planos para amanhã?
         - Não tenho planos nenhuns.
          -  Podíamos ir a sete cidades, dizem que é muito bonito. – respondeu o Rodrigo.
          - Tu não queres desistir, pois não?
          - Ele quando simpatiza com alguém ele não desiste, muito menos quando é a cara estampada dele. – brincou o Mendes.
          - Ok pode ser.
         

Continua

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