Era uma quarta-feira, era o primeiro dia de consulta do Rodrigo com o Dr.
Tomás Pinto desde que veio do Japão. Rodrigo não sabia o que lhe dizer,
se calhar ele iria-lhe perguntar como foram os seus dias no Japão e no fim ele
fazia uns joguinhos para que tudo se conectasse.
Rodrigo entrou no consultório e fez sinal a sua secretária dizendo que tinha
chegado e ela fez sinal para ele se sentar. Rodrigo se sentou e esperou
um pouco ansioso, ele apareceu de cabelo pequeno e barba aparada e tinha óculos
diferentes, mas continuava anafado e olhou para o Rodrigo e fez sinal para
entrar.
- Conta-me
coisas – disse ele – como está o Ricardo?
- Está bem! –
respondi eu – antes de ir para o Japão eu estive com ele nos Açores.
- Que bom, eu
adoro quando falas das tuas idas aos Açores. – disse entusiasmado o Dr. Tomás
Pinto – Comeram ramen que tu aprendeste a fazer no Japão? Quem te ensinou?
- Não! Desta vez comemos o
jantar feito minha cunhada, quem me ensinou foi a Sra. Minamoto.
- A tua segunda família Japonesa?
– perguntou o Dr. Tomás Pinto
- Sim, posso desabafar. – contou o Rodrigo–
posso contar o meu problema?
- Força nisso – disse o Dr. Tomás Pinto
- Todos me perguntam o que aconteceu a 11 de
Março de 2011 na costa Marítima no Japão chamado Sendai. – Rodrigo limpou as
lagrimas. – mas eu estou tão traumatizado que nunca consegui contar a ninguém o
que realmente aconteceu naquele trágico acontecimento, nem mesmo a minha namorada
que é psicóloga.
- Continua. – pediu o Dr.
Tomás Pinto.
- Eu bebia whisky do meu pai para esquecer o
que realmente aconteceu e a minha mãe farta de me ver bêbado ela botou todas as
bebidas alcoólicas pelo cano na banca a baixo. Então todas as noites eu sóbrio começava
a lembrar-me das memórias pesadas, então eu gritava a minha mãe pedindo algo
para beber para poder esquecer. Todos em casa ouviam os meus gritos de pânico
“Eu quero beber, não aguento estas memórias que me atormentam. Era como se a
minha casa fosse assombrada aquela hora por um fantasma que era uma pessoa
humana, que era simplesmente eu.
- Meu Deus, queres
contar a mim o que aconteceu, porque se o fizeres eu posso-te ajudar. – disse o Dr. Tomás Pinto e continuou. – eu tive
uma grande amiga chamada Yui que morreu também nesse acidente.
- Vou tentar, tudo começou….
Rodrigo esteve aquela tarde
a contar o que realmente aconteceu, no fim o Dr. Tomás olhou para ele e disse:
- A culpa não foi tua, tu
ainda tentaste salvar quem amavas, devias de estar orgulhoso meu amigo.
- Mas eu quase morri, não sou
heroi nenhum,
- Todos nós somos heróis, só precisamos de ter
a coragem de por a capa. – disse o Dr. Tomás Pinto. – não sofras por algo que não
tiveste culpa.
- Eu sei, só que é difícil.
- Vou te ensinar um darma
Budista, sita quando tiveres em crise, treina também com isto a respiração, foi
um monge Budista André Vilaça que me ensinou na minha visita ao mosteiro dele
em Aveiro. Eu uso muito nos meus pacientes.
- Pode dize-lo. – disse o
Rodrigo.
- Eu não tive culpa, não
foi diferente das outras vezes, eu vou conseguir, eu refugio-me em Buda.
- Eu sou protestante.
- Então eu refugio-me em Jesus, tu lá sabes.
- Dr. Tomás Pinto soube
bem falar consigo, ajudou-me muito
- Eu irei estar aqui para te ajudar,
podes contar com isso.
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